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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Conversa de botas batidas


Conversa de botas batidas é uma música e também uma poesia, se não me engano do Marcelo Camelo (Los Hermanos). Nunca fui fã da banda, mas algumas músicas possuem um conteúdo muito bom como é o caso dessa. E essa letra teve uma inspiração, uma trágica inspiração, algo de heróis, juro que contarei rapidinho.
O cenário é o Rio de Janeiro em 26 de setembro de 2002. Um antigo hotel na rua 1º de março desaba. A defesa civil já havia alertado sobre o risco do desabamento, com o estalar das colunas o prédio havia sido evacuado. Sete dias depois foi encontrado dois corpos abraçados. Um casal de 68 e 72 anos. Os dois estavam juntos há mais de 30 anos, ambos eram viúvos e mantinham o relacionamento em segredo, talvez não revelassem por medo da reação de amigos e familiares já que a relação havia começado antes dos seus parceiros morrerem. Encontravam-se regularmente no mesmo hotel, no mesmo horário e no mesmo quarto. Os funcionários do hotel garantem que avisaram todos os quartos sobre a urgência e não se sabe se o casal não saiu por medo, vergonha, se não ouviram o recado ou se decidiram morrer juntos. Eles eram amantes.
Com certeza Marcelo Camelo transformou essa triste história em poesia de primeira qualidade.


Conversa de botas batidas
 Veja você onde é que o barco foi desaguar
A gente só queria um amor
Deus parece as vezes se esquecer
Ai, não fala isso por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho
Prepara uma avenida
Que a gente vai passar

Veja você, quando é que tudo foi desabar
A gente corre pra se esconder
E se amar, se amar até o fim
Sem saber que o fim já vai chegar

Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar

Abra a janela agora
Deixa que o sol te veja
É só  lembrar que o amor é tão maior
Que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
Que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
E agora está de bem

Diz quem é maior
Que o amor
Me abraça forte agora
Que é chegada a nossa hora
Vem vamos além
Vão dizer
Que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela
Vai cair.

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