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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Vai passar

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.
Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.
Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.
Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.
Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:
- ... mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca ...


(Caio F. Abreu)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Sobre recomeços

Nunca foi fácil RE-começar.
Recomeçar é se adaptar novamente, é travar nova batalha, é passar por um pedaço da sua estrada novamente sozinho. Recomeçar é estar aberto a novas propostas, é passar por novas experiências, é vivenciar novos prazeres. Recomeçar é estar aberto.

Nunca diga isso a alguém que está recomeçando. Falo por mim mesmo. Isso é a última coisa que quero escutar especialmente agora. Isso é doído, mas foi preciso. Antes de gostar de alguém é preciso gostar da gente primeiro... pode até parecer clichê mas é verdade, e algo só vira clichê porque deu certo uma vez.

É o que tenho pra hoje!
saudades de vc...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Só hoje

Hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito

Nem que seja só pra te levar pra casa

Depois de um dia normal...

Olhar teus olhos de promessas fáceis

E te beijar a boca de um jeito que faça rir

Hoje eu preciso te abraçar...

Sentir teu cheiro de rou pa limpa...

Pra esquecer os meus anseios e dormir em paz!

Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua!

Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria...

Em estar vivo.

Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar...

Me dizendo que eu sou o causador da tua insônia...

Quie eu faço tudo errado sempre, sempre.

Hoje eu preciso de você

Com qualquer humor, com qualquer sorriso

Hoje só tua presença

Vai me deixar feliz

Só hoje

Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua!

Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria...

Em estar vivo.

Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar...

Me dizendo que eu sou o causador da tua insônia

Que eu faço tudo errado sempre, sempre.

Hoje eu preciso de você...

Com qualquer humor, com qualquer sorriso!

Hoje só tua presença...

Vai me deixar feliz.

Só hoje.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!



É ter de mil desejos o esplendor
E não saber se quer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!



É ter fome, é ter sede de Infinito
Por Elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Cobranças e propriedade

O que pode ser definido com uma cobrança? Onde você está? O que está fazendo ou que fez hoje? E propriedade, como pode ser definido? Algo que você paga e pega um recibo ou nota fiscal?
O que algumas pessoas chamam de cobrança chamaria de atenção, ao menos chegarei no fim do dia sabendo que fiz o melhor possível pra estar perto, claro o objetivo não é sufocar, apenas mostrar presença. Volto a dizer que acredito muito na máxima: os opostos se distraem e os dipostos se atraem."
Não sei começar nada sem um objetivo claro, e ao menos pensei que tinha isso, mas acabo de perceber que não. Poxa... pq as coisas tem de ser tão difíceis... e depois ainda reclamam de solidão na 3º idade, e com razão.
Mas enfim, voltar atrás é sempre possível e ao menos com isso eu consigo lidar desde que seja avisado. Tenho maturidade para saber quando me retirar de campo, sem ficar "correndo atrás" ou perseguindo. Apenas necessito de ser avisado, gosto de saber das coisas, e ao menos isso NÃO É COBRANÇA.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Surpresa e surpreendido.

No geral, as pessoas podem ser catalogadas em dois grupos: as que amam surpresas e as que não gostam. Eu detesto. Nunca conheci um biólogo que gostasse de surpresas porque, como biólogos, gostamos de estar no conhecido. E temos que estar no conhecido porque quando não estamos... coisas acontecem... eu tô divagando? Eu acho que tô. Ok, então o que eu quero dizer (e eu realmente quero) não tem nada haver com surpresas, acontecimentos ou mesmo com biólogos. O que eu quero dizer é: quem quer que tenha dito "o que você não sabe não pode te machucar", era um tremendo imbecil. Porque pra maioria das pessoas que eu conheço, não saber é o pior sentimento do mundo... Vai, tá bom... talvez o segundo pior.


Como biólogos, há um monte de coisas que devemos saber. A gente tem que saber se tem o dom da coisa. Tem que saber como tomar conta de tudo... e como tomar conta um do outro. Vez por outra, temos que saber até como tomar conta de nós mesmos. Como biólogos, temos que estar no conhecido. Mas como seres humanos, às vezes é melhor ficar na escuridão, porque na escuridão pode ter medo, mas também há esperança.

Saudade e falta

Inspirado por alguém...

Saudade não é o mesmo que falta. Quem sente falta de alguém, sofre. Quem sente saudade, não. E isso nem de perto se relaciona à distância geográfica entre duas pessoas. A falta é exigente, a saudade, complacente. A falta exige a presença, física ou não, do outro. Exige mesmo, reivindica-a, força-a, obriga-a. A saudade não faz isso. Ela quer o outro, mas não por necessidade, mas simplesmente porque quer, por escolha. Quando se escolhe estar com alguém, sente-se saudade desse alguém. Quando esse alguém é necessário, ou melhor, quando não há um 'eu completo' sem ele, sente-se falta, ausência, distância mortal. A saudade é deliciosa, apesar de durona. A falta cobra, a saudade compreende. A saudade é exigente tb, claro, nos direciona ao outro, e o outro a nós. Mas, diferente da falta, não exige o outro, mas o quer próximo, só isso. Não se trata de uma diferença de intensidade, mas de qualidade...