Não vou começar falando
que depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferente entre dar
a mão e acorrentar a alma. Acho que depois de um tempo você aprende muito mais
coisa, isso pode até estar incluso no “pacote”, mas não é aquilo que você se
apega nos momentos de tormenta. Certa vez nesse blog eu disse que o normal das
coisas é que quando você cresce como pessoa, tudo deve ser diferente, inclusive
sua atitude frente a situações que não são novas, situações que você já
vivenciou. Pois bem, não me é surpresa esses momentos de silêncio total. Aquela
coisa de no primeiro compromisso que aparece você é o primeiro item da lista de
descarte:
_ Olá, precisamos marcar uma reunião.
_ Preciso verificar minha agenda,
deixe-me ver, aqui tenho um tempinho na segunda que ao invés de me preocupar
com quem preocupa comigo vou utilizar pra essa reunião, quem se preocupa comigo
que se exploda bem longe.
Ou até mesmo a seguinte situação:
(Em pensamento) _ Estou vendo ele
on-line mas não vou falar nada com ele, talvez ele nem tenha me visto, eu estou
bem, não estou precisando de nada, meu emocional está ótimo, então eu não
preciso dele.
Não trate como
prioridade quem te trata como opção. Frase super batida essa. Mas existe aquele
ímpeto de prontidão, que muitas vezes se faz mais forte do que qualquer
racionalidade existente. Gostaria de saber qual parte do encéfalo responsável
pela liberação desse hormônio, e juro que se for o hipotálamo, bem sem ele eu
não consigo.
Gostamos de ser o
melhor em tudo, isso é nato do ser humano. O melhor homem, o melhor estudante,
o melhor namorado, o melhor sexo, o melhor político... mas nem sempre
conseguimos em tudo, quando queremos ser o melhor em tudo, vamos acabar pecando
em alguns pontos, quando queremos ser o melhor em tudo corremos o risco de não
ser bom em nada.
Fracassar é diferente
de falhar. A falha pode ser evitada em outra situação de mesma natureza, o
fracasso... bem no fracasso não existe outra situação de mesma natureza. E
ainda não sei ao certo, mas creio que nessa coisa doida entre nós dois não
existe mais espaço para falhas.
Em outra ocasião também
nesse blog, disse algo sobre homens honrados. Se você sabe a hora de se afastar
quando recebe menos do que merece, então você é um homem honrado. Mereço mais
que um “ainda não sei o que responder”, mereço mais do que “estou sem tempo”,
mereço mais do que um simples “que história de assalto é essa” e mereço MUITO
mais do que um “e ai mocinho” a cada dez dias.
Ser ou não ser uma
pessoa melhor para receber outro?, não acho que cabe a nós responder isso, cabe
ao outro, pois quem saberá responder isso de prontidão é o outro. Não é preciso
momentos de reflexão quando o outro está com a resposta. Então vamos a
resposta: não, você não é uma pessoa melhor. Você cresceu muito, mas não o
suficiente para merecer certas coisas. Em alguns momentos as atitudes condizem
com a de uma criança assustada que evita encontrar com a mãe porque sabe que
ela vai lhe dar um bronca. As mesmas histórias de tempos conturbados para
justificar a presença de certas pessoas, isso não é ser melhor. Ser melhor é
ser honesto, conosco e com os outros. Tenho tempo, mas não quero. Realmente não
tenho tempo, mas vou tentar cumprir com aquilo que combinamos mesmo que às
vezes não consiga. Não quero mais te ver. Isso é ser honesto, isso é ser
melhor, a verdade por mais dura que ela seja. O tempo do silêncio total só
machuca e leva mais rápido ao caminho do fracasso.
Agora chegamos ao
“estou sem tempo”. Sim porque eu acordo as 05:00 a.m. e já começo com o meu
corrido dia. As 05:01 a.m. eu já tenho que estar de pé, pronto para a incrível
jornada, sim porque eu tenho que dedicar agora, dedicar de corpo e alma, mesmo
que o objetivo não seja ganhar nada. As 05:02 já preciso estar em reuniões e
desde que acordei já existe uma fila enorme de ligações para serem atendidas. E
assim será até o final do dia, só que não sei quando será o final do dia porque
realmente eu estou sem tempo. Talvez dias de 25, 30 ou 40 horas ajudassem
bastante. A questão do tempo obedece rigorosamente o ritmo que cada um impõe,
mas não adianta falar sobre isso, seria inútil, todos nós sabemos disso. Seria
falar mais do mesmo.
E agora, para onde
vamos, me deixe ver... sim, chegamos ao assalto, mas “que história de assalto é
essa...”. Quando algo delicado, assustador nos acontece sempre queremos um
abrigo, um porto seguro para nos abrigar. É o que acontece em situações de
assalto. Você está tranquilamente na rua quando é abordado por três caras, um
te imobiliza por trás, outro se encarrega do terror psicológico e o terceiro é
responsável pela revista. Depois o que você faz? A resposta é simples, você se
desespera, até aí tudo bem. Mas o que esperar dos outros? A resposta também é
simples, vamos a algumas possíveis indagações:
_ Você está bem? Como isso aconteceu? O
que eles fizeram com você? Mas você está bem mesmo? Fique calmo, vai tudo dar
certo. Ou:
_Nossa que chato como isso foi
acontecer? Onde você estava o que estava fazendo? Está tudo bem com você? O que
eles levaram?
Detalhe, nenhum desses diálogos é
esperado através de sms, se for dessa maneira melhor não falar nada e ficar
quietinho. Nesse ponto o que mais frustra é poder constatar a tamanha
indiferença, a total falta de tato e sensibilidade. Quantas e quantas vezes...
enfim melhor não cobrar nada.
Por fim chegamos à
parte do “e ai mocinho...”. Sim eu vi, mas fiz questão de não responder, afinal
de contas quantas e quantas mensagens eu também havia deixado e nunca obtive
resposta. Não foi a melhor atitude mas é aquela coisa de “olho por olho, dente
por dente”... Foram mensagens, ligações, torpedos, uma infinidade deles. Talvez
isso até poderia relevar, mas depois de tanto tempo e tanta coisa “e aí
mocinho”? Convenhamos, mereço muito mais.
Ser um homem honrado é
saber se afastar quando recebe menos do que merece. Sei que mereço muito mais
do que isso, mas não sei se pode me dar. Em partes estou com raiva, em partes
estou decepcionado e em partes já aceitei tudo. Não vou mentir e dizer que
estou uma rocha, às vezes dói, dói tanto que às vezes é difícil até respirar.
Já chorei, acho que hoje isso não seja mais necessário. Não espero resposta
nenhuma ou notícia nenhuma, se isso chegar algum dia não sei como seria, apenas
não espero. Pra falar a verdade bem no fundo, já estava meio que preparado para
quando o tempo do silêncio chegasse ao menos dessa vez não fui pego de
surpresa, desarmado. Talvez isso seja crescer.
Quanto aos sentimentos,
eles ainda existem e vão existir pra sempre. Sentimentos por grandes pessoas
são difíceis de esquecer. Preciso colocar os grandes sentimentos em uma pequena
caixinha e guardar no fundo do coração. E não posso permitir que esses
sentimentos saiam de lá, por que se sair, seria ainda mais doloroso para todos.
Não espero resposta,
não espero ligações, não espero e-mails. Conheço isso tudo, já passei por isso,
lembra? Não sou nenhum santo ou o namorado (?) perfeito, possuo minhas falhas e
limitações. Tenho as minhas manias, cobranças e ciúmes. Não sou o par ideal e
não espero respostas. Apenas espero poder seguir em frente, reorganizar os
planos e traçar novas metas...