_ Qual é o tempo de recuperação para cirurgia cerebral?
_ Depende, mas normalmente é de quatro a seis semanas, pelo menos.
_Parece que vai ter que me aturar de quatro a seis semanas.
_Não seja idiota, Todd. Você embarca daqui a cinco dias, cara.
_Isso era antes de eu descobrir que você tinha um tumor no cérebro.
_Não estrague as coisas para si mesmo. Você é um soldado, é o que você é. Eu provavelmente nem vou sobreviver à cirurgia.
_Ótimo. Então poderei ir daqui a cinco dias, portanto para que estamos tendo essa discussão?
(Um olha para o outro enquanto a residente sai discretamente de cena, ficando ao fundo).
_ Por que veio, cara?
_Como poderia não vir?
Todd se levanta e senta-se na cama junto a Darren enquanto ele por um instante se preocupa com a residente no quarto.
_Nossa você é tão paranóico.
Darren não encontra resistência nos olhos da residente enquanto Todd suavemente acaricia o seu rosto, e os dois se beijam amorosamente enquanto são observados pela residente que acha aquilo a coisa mais sublime da face da Terra e deseja ardentemente que ainda possa viver aquilo com seu Mc sonhos.
_ Sr. Covington!
Assusta-se com o pai de Darren ao adentrar o quarto. Todd e Darren se assustam e se separam (Todd se coloca de pé ao lado da cama). O sr Covington fica perplexo. Os olhos de Todd, seus doces olhos verdes por um instante se perdem ao olhar para o nada, mas em seguida ele se recompõe determinado a enfrentar a situação, a lutar pelo seu amor, lutar contra quem quer que seja.
_Saia daqui. Não me obrigue a expulsá-lo.
O capitão do exército americano adentra o quarto.
_ Qual é o problema?
_ Nenhum problema, senhor. Nada mesmo. diz Todd cabisbaixo e em seguida deixa o quarto.
O sr Covington olha para o filho sem acreditar no que acabara de flagrar, seus olhos exalam decepção, choque, olhos castanhos que não querem acreditar sobre o filho, um oficial do exército que se descobrira com um tumor no cérebro e foi inscrito em uma cirurgia experimental, no qual poderia perder a vida. Darren se sente numa situação difícil, por um lado o pai, pelo outro o amor da sua vida e em um terceiro lado o sonho, a carreira do amor da sua vida estava ameaçada na presença do capitão, que se descobrisse algo acabaria com o grande sonho de Todd de ser capitão do exército americano. Os olhos de Darren exalam Marcelo, estou aqui "sem saber o que fazer". Sua expressão é de medo. A residente se mantém parada como se o seu próprio sonho estivesse acabado ali, naquele instante.
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O sr Covington se encontra diante a janela do quarto, calado, estático, admirando o nada, perdido na cena que presenciara do filho, como se ela passasse em sua memória igual a um filme. Darren continua na cama deitado, ambos estão um ao lado do outro, porém nenhum diz uma palavra sequer. A residente adentra o quarto e diz:
_Hora de cortar o cabelo, Darren.
Percebendo o clima ela ainda continua:
_ Sr Covington, se incomoda de esperar lá fora? Fico nervosa quando me observam.
_ Não tem problema- diz o Sr Covington como se ela lhe tivesse tirado o mundo das costas e se retira do quarto.
_ Obrigada.
_ Obrigado- agardece Darren.
_ Você parece precisar de um descanso.
_ Sim, isso de... não falar sobre a coisa em que todos estão pensando é exaustivo. Sabe, meu pai não é um mau sujeito. É só um soldado. Somos todos soldados.
_Todd está lá embaixo, no saguão.
_ Hunpf... Ele é tão idiota. Devia ir embora. Devia me tirar da cabeça e...
_Não é uma coisa fácil de se fazer.
_Seria melhor para todos. Com o Dr. Evett aqui por perto, Todd não pode arriscar ser exposto. Ele perderia tudo pelo que trabalhou.
_Loucura ter que se preocupar com isso.
_Não pergunte, não conte. Eu sabia como era quando me alistei. Você mantém sua nvida pessoal separada da sua vida no serviço. Só nunca pensei que fosse encontrar minha vida pessoal no serviço.
Os dois se olham por um instante, Darren se martiriza por não poder amar e a residente se martiriza por encontar bem ali, a sua frente uma história tão complexa quanto a sua, onde as emoções se afloram violentamente.
_Ainda posso chamar o Todd pra você, se quiser.
_Não, não posso. Meu pai, não posso. Sei o que está pensando. Um soldado tão valente, e não consegue nem enfrentar seu próprio pai.
_Estava pensando em como isso é difícil.
_A parte gay ou a parte do tumor?
_Todas as partes.
Ambos se entreolham e Darren abaixa a cabeça.
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Darren está sendo encaminhado para SO (sala de operação/cirurgia) pela residente e um auxiliar. Ao passar ao lado da um corredor a residenteavista Todd sentado em uma cadeira apenas esperando, uma notícia, apenas esperando, talvez nada, mas Todd continua ali, esperando. A residente para e fala:
_Darren. E aponta Todd com os olhos.
Ao se virar Darren pode ver Todd ao mesmo tempo em que Todd avista Darren e se coloca de pé, seus olhares se encontram. A residente diz:
_ Podemos parar por um instante.
A expressão de Todd muda num piscar de olhos, uma inundação de ocitocina toma conta do seu ser, ao mesmo tempo em que Darren queria se jogar nos seus braços mas sabe não ser capaz pois logo a frente encontra seu pai o sr Covignton, o capitão Dr Evett e o neurocirurgião.
_Não.
_Tem certeza?
Darren olha novamente para Todd, nesse instante Todd está desesperado, ele demosntra isso com os olhos, seus olhares se encontram novamente. Apenas com o olhar Todd diz vem para mim, estou aqui com você, vem para mim. Darren faz um tremendo esforço contra o amor. Balança a cabeça e diz:
_ Não. Vamos embora.
A maca é levada mas os olhares ficam fixos, olho no olho até o corredor imcubrir a maca por completo. Todd permanece de pé, parado enquanto uma lágrima percorre o seu doce rosto.
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A cirurgia ocorre, as próximas horas serão fundamentais.
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Encontram-se na ante-sala o Dr Evett, o sr Covington, a residente e o neurocirurgião.
_Conseguimos saturar o tumor. Faremos uma tomografia de manhã e veremos se o tumor encolheu.
_Mas está otimista?
_Cautelosamente otimista.
Após a breve conversa o neurocirurgião e a residente deixam a ante-sala.
_ Foi incrível. Sincronia total, como se fôssemos uma só pessoa.
_É. Foi ótimo. Você se saiu muito bem.
_Obrigada.
Os dois se entreolham por um momento.
_ Obviamente a pressão intracraniana terá que ser monitorada durante essa noite. Então só me diga quais são os parâmetros.
_Eu fico. Ou seja... Podemos ficar juntos.
Os dois se olham novamente e um momento único onde tudo poderia acontecer é cortado pela voz do caso do neurocirurgião:
_Como foi?
_Ótimo. Foi muito, muito bem. A dr Grey deu uma das... Ela deu uma das injeções.
_Bem, eu só... estava indo pra casa e não sabia se você queria...
_Sim, certo. Preciso ficar aqui esta noite.
_ Tudo bem.
_Tudo bem?
_Então eu...
_Tudo bem.
A residente e o neurocirurgião se entreolham novamente e ela fala:
_Rose! Espere. Eu...
_O quê? (sussurra o neurocirurgião)
_Posso chamá-lo se houver problemas.
_Eu fico. Se quiser que eu fique eu fico.
Ambos olhares se cruzam novamente...
-Não você deve ir com a Rose.
O neurocirurgião se senteentregue de bandeja a Rose pela Dr Grey.
_Ok.
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De volta ao quarto onde Darren se encontra ainda nas horas críticas da cirurgia:
_Vamos dar paracetamol e 500 de vancomicina.
_Está bem- responde uma enfremeira a Dr Grey
_E exames de sangue e urina.
_Se quiser descansar um pouco, eu fico com ele.
_Não, estou bem.
_Tudo bem.
A dr Grey senta-se em uma cadeira ao lado da cama e passa a pensar...
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A pressão arterial de Darren começa a aumentar assombrosamente;
-FV!
_Carregue em 300 joules.
_Está carregado.
_Afastados!
_Afastados.
O desfibrilador é utilizado enquanto um único som acompanhado de uma linha ininterrupta no monitor ecoa na sala.
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Todd resolve enfrentar o sr Covington, e adentra a ante-sala onde o encontra sentado em uma cadeira de cabeça baixa ao lado da dr Grey.
_Sei que minha presença aqui o deixa muito desconfortável, mas fui treinado para não abandonar um homem caído. Nosso homem está caído.
_Todd- tenta interferir a dr Grey
_Nós dois o amamos.
_Todd...ovamente Grey
-Não! Tudo que quero é saber como ele está.
O sr Covington levanta a cabeça e mostra para Todd os olhos cheios de água. Todd como que descobrindo o que acontecera não se contém, se assusta e começa a chorar silenciosa e amargamente.
_Ó,Deus.
A dr Grey assiste a cena como se aquela fosse a sua história, o seu amor.
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O neurocirurgião chega e encontra a residente em uma sala, só, com os olhos banhados em lágrimas.
_A punção liquorica acusou encefalite. O vírus retrocedeu. Não tínhamos como prever isso.
_Eu não podia ter dito que podia dar conta. Não devia ter deixado você ir.
_Não, você fez tudo certo. Fez o que eu teria feito. No meu caminho para cá, parei e comprei esse champagne. Para quando conseguirmos. Pois nós conseguiremos. Teremos sucesso e salvaremos alguém. E quando isso acontecer, vamos abrir essa garrafa de champanhe. E vamos beber em homenagem a Phillip Robinson e Darren Covington, e a todos os outros pacientes que nos ajudaram a mudar a medicina. E vamos celebrar. Vamos usar isso como a nossa dança da vitória. Meredith, nós conseguiremos. Abriremos essa garrafa de champanhe.
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Todd chega em frente a sala onde se encontra o corpo de Darren e encontra lá o sr Covington, o Dr Evett e a residente.
_Quero que ele tenha um enterro militar-m diz o sr Covington enquanto sai do quarto e da de cara com Todd que apresenta os olhos completamente em lágrimas. O sr Covington para por um instante e olha para Todd e apenas balança a cabeça afirmativamente com os olhos voltados para o chão.
Todd adentra a sala e observa o rosto de Darren, aproxima seus lábios do dele e o beija pela última vez.
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Essa é a receita para ser um super herói, o melhor que já existiu, essencial.
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Não é difícil, é insuportável.

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